COMO CAMINHA O PENSAMENTO? SOBRE AS CRÍTICAS ADORNIANAS ÀS REGRAS DO MÉTODO CARTESIANO.
Resumo
Em O ensaio como forma, Theodor Adorno propõe a discussão do problema da forma de exposição da filosofia através de uma investigação sobre o ensaio. No desenvolvimento de seu escrito, que culmina na afirmação do ensaio como a forma por excelência da escrita filosófica, Adorno expõe críticas à postura positivista, ao método cartesiano e ao caráter totalizante dos sistemas filosóficos. O filósofo dedica uma parte relevante do O ensaio como forma ao desenvolvimento de suas críticas ao método cartesiano. A notável influência do pensamento de Descartes para a consolidação da ciência moderna e no desenvolvimento da filosofia é vista com suspeita pelo filósofo. Desse modo, Adorno não recua diante da polêmica levantada pelo teor de suas críticas e coloca em cheque a grandeza do empreendimento cartesiano e a validade de sua influência para a história do pensamento filosófico. O filósofo confronta cada uma das regras cartesianas que orientam o modelo metodológico estabelecido no Discurso do Método e o modo como essa concepção de método foi arraigada nos desenvolvimentos da teoria do conhecimento e na tradição da filosofia. Percebendo a relevância dessas críticas para o conjunto das ideias expostas do O ensaio como forma e para o pensamento de Adorno, propomos, no presente trabalho, uma investigação dos preceitos metodológicos cartesianos conjuntamente com as críticas de Adorno a eles, evidenciando como a escrita ensaística se opõe às regras metodológicas de René Descartes.
Palavras-chave: Adorno. Ensaio. Crítica. Método cartesiano.
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ISSN: 2357-979X